La mente
porque quem é vivo chora
Todo mundo aprende que a respiração é ato involuntário. Aparentemente é preciso ensinar o óbvio, já que o corpo sabe, desde o início, do que a mente ainda não se ocupou. O recém-nascido, que em tudo chora, só chora porque respira. O primeiro choro, o do encontro com o desconhecido, é dor e desconforto e medo e solidão. Mas respira, porque é vivo. É vivo, porque chora.
O corpo sabe desde o início que, se é vivo, respira e chora. Porém, crescendo e acostumando-se demais a respirar, aos poucos esquece de chorar. E se o corpo começa a esquecer esse tipo de coisa, a mente se perde e o saber mais trivial vira desafio. A mente não sabe mais respirar. Tem hora que o ar parece que é pouco, às vezes a sensação é que todo o ar veio de uma vez. E nesse caso, a escassez é asfixia, mas a abundância é ventania.
Ventania vira tempestade e, quando vê, a mente atrapalhada em si mesma já enganou o corpo. Não chora mais, não sente, não dói, não canta, nem dança. A ausência do choro é perda e tristeza e angústia e desilusão. Mas respira, porque é viva. Mesmo em descompasso, inspiração e expiração resistem, cíclicas hoje tanto quanto ontem e amanhã.
Se o corpo aprendeu um dia, de primeira, a respirar e a chorar, pra depois a mente aprender a amar, odiar, brincar, lamentar, festejar, questionar... dá pra aprender de novo.
Texto por: Marcos Paulo @marcospsc

