Sinalete digital
e os estranhos caminhos de uma paixão atrasada
Parece que quando a gente está atrasado, nada ajuda! Aproveito o sinal fechado e clico na localização da aula experimental de forró que havia combinado com ela. Jesus, Maria, José. Não dava para simplesmente abrir o maps?
Cliquei foi no aplicativo que já vinha instalado no celular. Que coisa mais confusa! Tento abrir o maps de novo, mas ele parece estar desatualizado. Acho que por isso que abriu o app errado. Que se lasque, vou de waze.
Desligo o carro. Óbvio que clicar no link não funciona. Vou ter que digitar o nome do estúdio manualmente, como faziam os primeiros hominídeos no período do Cenozoico, Mesozoico ou Sei-lá-zoico, que o seja.
Australopitecos!
Sim, aceito os termos e condições. Apenas ponha o mapa.
Pronto, as direções finalmente na minha tela! Vou dirigindo apressado, mas o caminho parece estranho. Quero dizer, o caminho não, porque eu nem sabia onde era a escola de dança. Mas as cores.
Correria danada, mas finalmente, eu chego. A escola é linda com todos esses vitrais coloridos. Respira fundo, eu repetia para mim mesmo. Não quero parecer estabanado no primeiro encontro e pá: dou de cara com o espelho.
Ele quebra, eu não me espanto. Fecho os olhos por um longo tempo. Ao abri-los percebo o que estava diferente com a luz, está tudo como que pixelado. Como se em baixa definição que nem a carniça do meu celular e aquele link esquisito.
Mas está tudo bem. Finalmente eu a vejo, olhando pro relógio, atrasado que estou. Tento andar em sua direção, mas não consigo prosseguir com o meu caminho. Aceno para ela, mas não passo de uma notificação não visualizada.
Percebo a distância até ela, mas agora tudo está digital. Com minha demora sem fim, cruzei para o outro lado do espelho. O que havia nos termos que eu concordei? Virei mero sinalete digital:
– Radar reportado à frente.


Pior que você tem razão: estamos virando meros sinaletes virtuais! Rsssss